Eu poderia falar de amor de novo, mas dessa vez eu vou falar de saudade.
Nosso viver é totalmente incerto e eu não sei por que eu tenho a mania de querer ter certeza de tudo. Um dia eu estou aqui sorrindo, alegrando outras pessoas, mais um segundo depois eu posso estar aqui, fisicamente, fazendo escorrer lágrimas dos rostos aos quais eu menos queria trazer tristezas.
Poderia dizer que é uma das maiores dores do mundo. Mas a maior dor do mundo certamente é um filho perder aos pais, avós ou irmãos. E um pai, ou mãe, perder seus pais, avós ou filhos. Dependendo, é claro, do vínculo, mas não há dor pior do que perder alguém que é parte de ti.
E o que dizer da dor daqueles que a gente escolhe fazer parte da gente? Família a gente nunca escolhe, mas os amigos a gente escolhe e conta nos dedos.
São as lembranças de tudo que passamos juntos quando dizíamos para os nossos pais que estávamos estudando, ou simplesmente posando na casa um do outro. Enquanto na verdade estamos era festejando ruas a fora. Sentindo-nos livres, homens, corajosos, os melhores, os superiores, os incríveis, simplesmente porque tínhamos ao nosso lado o irmão que escolhemos a quem gentilmente chamamos de amigo, meu brother, meu bruxo.
Fomos criados com a certeza de sempre perderíamos primeiro nossos avós, depois nossos pais, nossos irmãos e então nossos amigos. Mas nem sempre a vida se segue nessa via. Tem uma curva aqui, um pare ali, uma mão dupla mais a frente e para outros têm uma rua sem saída com uma placa chamada "Destino".
E é assim, que o Destino muda com o que estamos esperando primeiro. Levando, ironicamente, o amigo que escolhemos, antes de levar nossos pais, ou seja lá qual for à ordem que isso tenha agora. A gente simplesmente fica parado no meio da rodovia da vida, sem ação, com medo de seguir em frente e ver a placa do "Destino" também.
É uma dor incalculável, mas que sempre, pelo bem ou pelo mal, sempre passa. Passa no sentindo de deixar de ser dor, aquela coisa que machuca nosso coração e que raramente alguém percebe o tamanho da ferida que temos dentro da gente. A dor começa a virar uma saudade gostosa, uma lembrança, uma brisa que bate e só faz a gente pensar: "Por pouco, ou muito tempo, com certeza esse cara fez a diferença na minha vida". E é difícil quem não conclua essa frase com aquela famosa fala do Tim Maia: “... você marcou a minha vida... viveu, morreu, na minha história.".
É uma dor que é impossível calcular ou falar sobre, é tão insuportável que tudo que queremos é ficar sozinhos e pensar: "Porque a vida tem de ser assim?".
E então eu posso tentar terminar esse texto dizendo que: Não importa a tristeza que a saudade deixa em nosso peito. O que realmente importa é o sorriso que a saudade coloca no nosso rosto a cada lembrança. E mais ainda, a pureza da lágrima que escorre do rosto por essa lembrança ser tão especial.
Enfim, não importa quantos anos você tinha antes de partir. O que importa mesmo é quantos vocês fez sorrir e quantos vão lembrar de você e pensar: "Por causa de caras como esse, é que a vida realmente vale a pena!”.
GEDIEL, Camila. A placa. 2010.
Texto dedicado à todos aqueles que deixam saudades em nossos corações.
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