Há pouco tempo parei a refletir sobre um trecho da música do Rappin Hood e Caetano Veloso que diz assim: "...quem dera eu poder voar como um passarinho, poder voltar ao tempo em que eu era um menino...'.
Se pararmos para pensar há somente duas coisas na vida, pelo menos na minha, que nos fazem voltar a ser criança. São elas:
1. Sentir-se criança, propriamente.
2. Amar.
Sentir-se criança é simplesmente fazer tudo, absolutamente tudo que dá vontade, o corpo pede e a mente deseja, por uma simples questão de livre arbítrio. Sentir-se criança é não preocupar-se com o que vão pensar de você e sim preocupar-se somente com o quanto você se sentirá bem em fazer algo.
Seja dançar num ritmo descompassado, seja gritar, tomar banho de chuva e sair correndo rua a fora cantando em plenos 40 anos de idade. Seja ser pego no colo pela sua nora e ser rodopiada e depois ao pousar no chão tomar um belo tapa no traseiro e ouvir um 'E aí Tchutchuca, curtiu?'.
Enfim, sentir-se criança é fazer qualquer coisa que hoje ao olharmos para trás julgamos infantil, absurdo ou até mesmo idiota. A idade, o tempo, a maturidade só estraga muitos corações. Estraga na mesma medida em que os enriquece também.
Pegue um dia sua avó ou sua mãe e vá andar de bicicleta com ela no parque, ensine-a a andar de patins. Deixe-a cair no chão e rir ao lembrar-se do quão bom é sentir-se jovem mesmo com algumas limitações da sua própria idade. Sorrir é ser criança o tempo todo. Ser criança é basicamente ser feliz sem pensar sobre o que os outros (perdem seu tempo) pensam de você.
Faça careta, dance num ritmo frenético, pule do nada, de um beijo no rosto de quem está com a cara feia, complemente com um abraço e diga 'Dá um sorrisinho pra mim, dá?'. Será impossível não ver um sorriso alargando-se em resposta.
Tente mudar sua rotina uma vez na vida. Seja até mesmo pegando uma corda e pulando 5 minutos. Além de fazer bem para ser corpo, com certeza fará com que a sua mente volte no passado e traga lembranças das quais você nem recordava mais. E, certamente você fechará os olhos e lembrará de tantas coisas boas que vai pensar: 'Como é bom ser criança!'.
Mas, continuando minha defesa sobre sentir-se criança. Quando estamos dispostos a amar, gostar de alguém, também é impossível não sentir-se criança.
A pureza do amor vem à flor da pele, queremos fazer tudo certo, mesmo errando. A gente tropeça ao caminhar ao lado da pessoa de tanto pensar nela (mesmo estando ao lado dela) e essa situação muitas vezes vira motivo de diversão.
Gaguejamos feito criança nas vezes em que necessitamos abrir o coração. Criamos feições, frases, revivemos vozes de quando éramos mais novos. Fazemos gestos e expressões infantis para encantar ao outro. Porque ser criança é ser encantador.
Uma criança suja de sorvete é linda. Uma criança com a cara cheia de tinta é linda. Uma criança cheia de terra é linda. Por quê? Simplesmente por que em meio a tanta bagunça e despreocupação uma criança consegue com um único sorriso trazer uma felicidade que é capaz de curar qualquer coisa.
Pode notar que, geralmente quando é lançada alguma campanha para melhorar o mundo ou qualquer coisa assim, desse gênero, sempre é usada a imagem de uma criança. Por quê? Simplesmente por que a criança representa o futuro e o amor. Ou seja, o motivo pelo qual devemos ser bons hoje, para no futuro termos espelhos ainda melhores.
Para ultimar, sentir-se criança é simplesmente não ver limite, nem preconceito para nada do que se deseje fazer. Amar é simplesmente sentir-se criança ao ponto de querer fechar os olhos, abrir as asas e voar como um passarinho.
GEDIEL, Camila. Voe. 2010.
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