segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Dois Lados

Eu sempre gostei de colocar a sinceridade em primeiro lugar. Doesse o quanto fosse, sempre pensei que é melhor sofrer agora ouvindo uma verdade, por mais dolorosa que ela seja, do que depois saber que tudo no que acreditávamos era mentira e aí vem a dor da decepção e a dor da verdade que nos foi escondida. Dor ao quadrado.

Querendo ou não ela sempre vem a tona, muitas vezes de súbito ela nos surpreende deixando-nos atônitos ao encontrá-la. E você se pergunta: De quem ela está falando agora? E eu lhe digo que dessa vez tanto faz, pois a verdade e a mentira causam sempre a mesma impressão, depende do que a pessoa que tem de aceitá-la está preparada para ouvir.

A verdade dói? Dói! Mas a mentira dói mais ainda quando deixa cair sua bela máscara de verdade. Se é que me entendem...

Independente do sofrimento que qualquer um desses dois lados possa me trazer eu sempre prefiro a mais correta, a verdade. É em cima dela que a gente se molda, se adequa e se fortalece. Independente se essa verdade foi empregada ao nosso bem ou ao nosso mal, cabe somente a nós distinguirmos.

Por exemplo: "Na verdade eu não te amo mais, quero ficar só". Dói? Uhum, dói sim! Quase ninguém está preparado para essa verdade, por mais que saibamos que ela é para o nosso bem. Digo nosso bem, pois a pessoa que nos proferiu isso sabe que não poderá mais entregar-se a nós com tanta intensidade a ponto de nos deixar feliz e, evitando nosso sofrimento em deixarmos esperar algo que não vai vir nos dá essa resposta como verdade, para nossa visto mal, e para o bem de quem fala (espero ter sido clara).

A verdade têm muitas faces, a mentira também. Mas a verdade ao mesmo tempo em que ela causa dor, ela traz confiança, por que geralmente pensamos: "Ele foi sincero ao me dizer isso, não quis me enganar".

Geralmente as pessoas têm a verdade como sinônimo de lágrima, de dor, de decepção e tristeza. Mais um exemplo: "Não acredito que vocês está me dizendo isso" - "Mas você prefere que eu minta?" - "Nesse caso poderia ter me poupado da verdade".

(E agora? Me desculpem, mas se vocês esperam ao final desse texto eu ter uma fórmula matemática para isso, lamento ter de ser verdadeira com vocês, mas... infelizmente eu não consegui criar uma equação para isso.)

Normalmente muitas pessoas adotam a mentira como remediação, dizendo sempre o seguinte: "Vou mentir para ela, para que ela se sinta melhor", "Acho melhor não contar toda a verdade, pois vai poupá-la de um sofrimento maior", "Ela não precisa saber disso, não significou nada para mim".

Aiai, se você sabia que era errado porque fez? E em relação essa última frase que eu citei eu poderia escrever uns dez textos com em cima dela.

Sinceramente, acho que quem vive em cima de mentiras faz da sua vida um castelo de cartas, ao pisar no seu jardim tem de cuidar os ovos no chão. Sempre que você mente, você têm de ir criando mais e mais mentiras para sustentar aquilo que não é verdadeiro, mas as mentiras sempre enfraquecem e quando você menos espera a verdade despenca lá do alto e a dor que causa é muito maior.

Dificilmente necessitamos criar mais verdades para sustentar uma única verdade, ele se auto-sustenta sempre.

Se chegar alguma situação de sua vida em que você não queria mentir, mas que também não possa utilizar a verdade, pois ela causará dor, eu só tenho uma coisa a lhe dizer. Utilize o bom senso, mas não minta jamais.

GEDIEL, Camila. Dois Lados. 2010.

Nenhum comentário:

Postar um comentário