Acho que um dos piores sentimentos de um ser humano é o de aceitação ao erro. Saber que se errou dói e dói demais, simplesmente porque não temos a chance de voltar no tempo e corrigir, evitar aquilo. Então a única chance que temos é de amenizar as consequências e mesmo assim, ainda é muito difícil de aceitar esse tipo de coisa, tampouco tentar corrigir.
Têm-se medo de tentar amenizar um erro, simplesmente por que se têm medo de errar de novo e não é nada bom saber que se errou duas vezes. Digo amenizar, pois é uma raridade conseguir corrigir um erro. Erro materiais, erro de código, erros de banco de dados, todos esses são possíveis de corrigir, mas erros físicos, erros que abalaram os lados emocionais, esses são praticamente irreversíveis.
Talvez quem os carregue diga: "Capaz, está tudo bem", mas essa frase muitas vezes é só um gesto de bondade do próximo ao enxergar o nosso arrependimento e não desejar que nós nos sintamos piores do que já estamos.
Irreversível ou não, o tempo é o melhor consolo. O tempo passa e querendo ou não a dor ameniza ou simplesmente se é esquecida. Claro que depende da intensidade com que foi sentida, mas o tique-taque de um relógio é um dos melhores curandeiros que existe.
Tem certas mágoas que não necessitam de palavras para serem superadas, nem certezas, nem incertezas, mas precisam de um 'tique-taque'. Esse tique-taque é pra pensar, pra entender, pra investigar e pra aceitar que, infelizmente, a vida nada mais é que dias que correm e só acontecem em cima de erros e acertos de milhares de pessoas. Pelo bem, ou pelo mal, hoje estamos aqui, porque a igreja católica ensinou que a Eva pecou (errou) ao comer a maça e tivemos de pagar pelas consequências.
Consequências. Alguém aqui consegue definir se a consequência é algo bom? Às vezes sim, quando chutamos um balde e achamos uma nota de 10 reais (ou mais, depende da sorte, mas um dia falaremos dela). Às vezes não, quando chutamos um balde e o quebramos, na menor de todas as piores consequências.
E independente das consequências a gente sempre se culpa, pelo menos eu, por qualquer erro, seja meu ou do fulano, eu sempre me sinto a errada e com culpa total. Se o erro não foi só meu, foi parte minha, porque não fiz o possível para evitá-lo. Simplesmente por não pensar que aquilo seria um erro. Se eu for pensar muito sobre isso eu enlouqueço, o negócio é olhar pro ponteiro e escutar o barulho do relógio, tique... taque... tique... taque.
Enfim viver. Errar e acertar. Tique-taque. Essas coisas.
Mas os erros só acontecem porque as coisas são mais difíceis do que imaginávamos, pois se fossem fáceis nos acertaríamos sempre. O que dificulta na verdade é que, o que eu considero errado o outro considera certo e vice-versa. É como jogar uma moeda pro alto, se é que me entende.
GEDIEL, Camila. Moeda. 2010.
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