sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Bem me quer, mal me quer

Mudar nosso eu e nossas atitudes poderia ser tão fácil quanto mudar a cor do batom, ou o estilo de se vestir. Quem dera! Se fosse assim, todos nós seríamos perfeitos!

Sempre, desde os tempos mais antigos, o julgar sem o conhecer existe e como, como mesmo, isso faz mal. Mal àquele que é julgado e àquele que julga depois de descobrir que se está errado.

Posso dizer isso por eu mesma. Fui criada em meio aos meus primos, amigos e irmão, todos homens. Cresci jogando futebol, vídeo-game, andando de carrinho de lomba, entre outras coisas que só os meninos costumam fazer(O que, convenhamos, é um tremendo machismo, ou feminismo, dependendo do ponto de vista). Minha mãe não gostava muito, mas desde pequena eu sempre soube, mesmo sendo menina, como manter o respeito e a amizade entre os meninos.

E foi continuando assim, na escola tinha mais amigos que amigas. Até a época em que se comecei a pensar nos namoradinhos. Aí então houve um afastamento considerável dos meninos. Pois, por crescer junto deles, ouví-los falando de tudo e sobre tudo, acabava sempre me encantando por um ou por outro. E assim foi por alguns anos, até que descobri que as amigas meninas não eram fiéis, não eram sinceras, tampouco raras eram as que eram honestas e leais.

Neste momento então relembrei o quão bom era meu tempo de amizade com os meninos, não havia insegurança, nem desconfiança, tampouco havia rumores ou falsidade. É triste até dizer, mas é incrível como mulher é falsa entre amigas, enquanto já não posso dizer o mesmo dos homens. E, acredito, amizade entre homem e mulher existe sim e é incrível a quão recíproca a mesma é.

Assim foi e assim é até hoje, meus melhores amigos... Sim, são homens. Até hoje eu me descabelo de vontade de sair jogando futebol com eles, porque as meninas não jogam tão bem quanto eles e brigam muito, não sabem levar o jogo ao pé do esporte, levam o jogo ao pé da beleza, da disputa e isso, não faz muito meu estilo, por mais feminina que eu seja, sempre consegui manter o bom senso.

Mas hoje em dia, o que mais me magoa é a maldade que as pessoas têm em suas mentes. Isso, sem dúvida, é algo que machuca e muito. Não posso sequer ficar conversando com um amigo por horas e de risos com ele, devido a nossas conversas divertidas, ou qualquer que seja o motivo do riso, que para aos olhos de muitos já estou me 'fresquiando' para esse amigo.

Depois de certa idade nós temos de aprender que não é fácil ser sempre do mesmo jeitinho, a vida nos obriga a amadurecer e enrijecer. Faz perdermos a inocência de infância, colocando no lugar a malícia da vida adulta e como, sinceramente, como isso me deixa infeliz.

É difícil hoje em dia quem acredite em amizade entre homem e mulher sem ver a maldade e, mais uma vez, infelizmente, eu, assim como muitas outras por aí, sofremos pelo menos motivo: a falta de inocência, o excesso de maldade de muitos que não sabem olhar para o próximo sem condenação.

Um problema que existe hoje, em todo o mundo, é saber que a cada segundo que passa as pessoas perdem mais e mais o respeito entre si, principalmente a inocência e a pureza que faz as relações serem construídas. Mais uma vez não temos o que fazer a não ser dizer: 'Hei, eu não sou assim, enxergue minha essência e não minha aparência'.

Todo o ser humano é muito mais do que qualquer olhar possa vê. E é por isso que cada vez eu tenho mais certeza de que só os animais têm o dom de enxergar a essência de cada pessoa, pois esse dom foge aos olhos de quase todos os seres humanos.

Confiar hoje em dia é digno de medalha, pois até isso se perdeu em muitas relações. E, porque? Por que o ser humano está cada vez mais neurótico achando explicação para toda e qualquer atitude do outro, a caráter de julgamento. Parece que julgar o próximo é modinha. E essa, infelizmente pegou!

Enfim, mudar nosso ‘eu interior’, como aprendemos nas aulas de filosofia, não é tão simples quanto trocar o par de sapatos, nem quanto trocar o atual estilo de vestir-se, tampouco, como mencionei antes, trocar a cor do batom.

A essência não se muda, se constrói, mas cabe a cada um saber como construí-la para o bem ou mal. Pense nisso.

GEDIEL, Camila. Bem me quer, mal me quer. 2010.

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