É praticamente uma máquina do tempo. Digo, muitas coisas são praticamente uma máquina do tempo, assim como nosso próprio pensamento. É um cheiro, que nos leva a uma lembrança lá da infância. É um gosto, que nos tele transporta até os nossos 3 anos de idade quando comemos nossa primeira colher de areia na mais pura inocência. É a sensação, que nos leva de volta até o dia em que ganhamos nosso primeiro beijo na boca. É um dia no calendário, dia 12, por exemplo, que nos leva ao dia em que nos apaixonamos de verdade pela primeira vez.
Porque escrever isso? Sei lá, simplesmente porque hoje e, muitas outras vezes antes, eu ouvi uma música que me lembrava as minhas primeiras festas. Vi fotos de uns amigos que me levaram a lembrar do quanto nós nos divertíamos juntos. E o mais incrível de tudo isso que existem lembranças que conseguem nos fazer fechar os olhos e faz com que consigamos nos sentir como se estivéssemos naquele exato momento sentido o gosto, o frio na pele, a adrenalina no corpo, escutando a música em tom claro nos ouvidos e sentindo um sabor inigualável que tem uma lembrança que nunca fora esquecida.
Que saudade dos tempos de molecagem. Que saudade da minha elasticidade e da minha incansável disposição. Não que eu esteja velha, não mesmo, longe disso. Porém, meus joelhos já não me acompanham tão bem quanto antigamente. Saudade de tanta coisa que às vezes nós nos obrigamos a abrir o nosso livro da vida, voltar algumas páginas e reler e relembrar os velhos e bons momentos.
Se viver já é bom, recordar é ainda melhor. Relembrar é uma palavra simples, um verbo, que serve somente para expressar o quanto àquela memória que temos foi tão boa é impossível de apagar. Ou vai dizer que você não tem coisas que lembra com maior facilidade e outras com mais dificuldade? Ai ai. E, pobre daquelas que a gente nunca lembra. A única coisa, acredito eu, que faz um momento tornar-se memorável é o simples fato de ter sido especial e ter nos feito sentir algum tipo de emoção, sensação, que acabamos definindo como incomparável.
Certo ou errado, todo o ser humano normalmente lembra do primeiro tombo, a primeira nota alta, a primeira nota baixa, a brincadeira favorita, aquele amor platônico da escola, a cor favorita, o primeiro beijo, o primeiro fora, o primeiro sapato dos seus sonhos, o primeiro carrinho de lomba. Enfim, tudo que foi e, será, o primeiro ou foi e, será, o último sempre tem um gosto um pouco mais apimentado por ser a primeira sensação e, mais ainda, por ser a saudade da mesma. Tudo que é bom nós sempre repetimos, porém quando deixa de acontecer vira saudade, sempre.
Enfim, eu parei para pensar o quão burro nos somos querendo uma máquina do tempo quanto sequer pensamos que temos uma ao nosso dispor 24 horas por dia. Ok, concordo com o que você esta pensando exatamente agora: Essa máquina do tempo que tu descreves, Camila, não nos dá a chance de voltar atrás e corrigir um erro, ou de reviver com maior intensidade um último momento. E eu concordo, claro que não dá mesmo, mas me diga, porque isso seria necessário? Digo: voltar ao tempo e refazer algo, ou intensificar? Bom mesmo é aprender com a vida, independente de errar ou acertar, o que for para ser, sempre será.
Desligue a parte da sua mente que está na vida real, entre na sua máquina do tempo, feche os olhos e se tele transporte. Depois, se quiser, pode me contar o quanto valeu a pena!
GEDIEL, Camila. Máquina do Tempo. 2010.
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